Muitas pessoas vêm ao Camboja com a imagem de Angkor Wat na cabeça. Esse templo é realmente o maior e talvez o mais impressionante de um enorme complexo de templos que serviu como sede do império Khmer entre o século IX e XIII. Estamos falando de uma organização social singular e de um enorme grupo de pessoas ocupando uma área planejada e construída com uma precisão que até hoje intriga pesquisadores.

Estar aqui faz a gente perceber que aquele enorme livro de história do terceiro ano que parecia conter o mundo é pouca coisa. Também nos faz questionar o que julgamos conhecimento histórico relevante e o conceito de progresso. Até hoje nos arrastamos tentando controlar minimamente o crescimento de nossos centros urbanos e ver o que império Khmer fez há tanto tempo e com menos recursos coloca a gente para pensar um bocado.

A porta de entrada para essa maravilha é a cidade de Siem Reap, que tem voos baratos partindo de várias cidades do Sudeste Asiático. O tempo que você deve planejar para apreciar essa beleza toda depende do quão apaixonado por esse tipo de experiência você é. Em geral, três dias completos são suficientes para a maior parte das pessoas. Você pode reservar só dois para os templos e passar o terceiro curtindo as atrações da cidade como o Cambodia Landmine Museum ou o Angkor National Museum.

Para visitar os templos você terá basicamente três opções. A mais barata seria alugar uma bicicleta que eu só recomendo se você amar pedalar, estiver em ótima forma e não se importar com o calor porque será muito cansativo. As atrações são enormes e as vezes um pouco distantes uma das outras. As outras são contratar um motorista de tuk tuk ou de táxi. O taxi custa por volta de 35 dólares por dia e o tuk tuk 23. Tuk tuk é vida, dá um ventinho gostoso que deixa seu cabelo igual ao do Bozo mas te coloca em contato com o ambiente ao seu redor. Essa última opção é a que a maior parte das pessoas fazem. Infelizmente, não há transporte público para lá.

Geralmente, os motoristas oferecem um percurso padrão. Para o primeiro, ela te leva para alguns templos menores e lindos e um mais distante. No segundo, você vê outros maiores e o famoso Angkor Wat. Uma experiência linda que você provavelmente fará junto a outras milhões de pessoas será assistir ao nascer do sol em Angkor Wat. Você pode fazer isso no terceiro dia, mesmo que já tenha visto o templo no dia anterior, para tornar seu tour menos cansativo. O seu motorista não vai te cobrar 23 dólares só por isso, claro. Esse valor é para o dia todo. Fazer isso é bastante comum porque cada dia no complexo custa 20 dólares e, comprando dois, o terceiro vem de brinde. Outra possibilidade é não ir em dias consecutivos. Se informe sobre o período de validade do ticket na hora de comprar e como ele poderá ser usado.

Não tem como não ficar chocado com a beleza dos templos. Eles são imponentes, ricos em arte, com esculturas e paredes cuidadosamente entalhadas formando figuras intrigantes que revelam como era a cultura local. Tem gente que passa a semana inteira explorando com muita calma cada um deles. As fotos ficam lindas e podem ser divertidas. Siga os orientais e copie as poses deles e os locais que eles tiram as fotos. Eles sempre estão um passo à frente de nós.

*Dicas depois das fotos!

DICAS:

  • Mantenha o ticket com você em algum lugar seguro, mas fácil de pegar. Você terá que mostrá-lo ao entrar em cada templo.
  • Encontrar um motorista de tuk tuk não é difícil. Na recepção do hotel eles poderão fazer isso por você.
  • Geralmente, o motorista pega o turista que vai ver o nascer do sol em Angkor Wat às cinco. Avise ao hotel. Eles provavelmente poderão preparar um café da manhã leve para você levar e comer no escuro enquanto espera o sol aparecer.
  • Não espere um nascer do sol perfeito. Se tiver nuvens as cores não serão tão brilhantes. Foi o que aconteceu comigo.
  • Tenha paciência mas fuja de grupos enormes de chineses que bloqueiam as passagens estreitas do templo e destroem suas fotos.
  • Não gesticule como um louco no templo tentando fazer um guarda entender onde você quer ir. Você poderá acidentalmente estapear o nariz de um coleguinha desconhecido com extrema força e temer por dias que você o tenha quebrado. Sim, eu fiz isso e estou com peso na consciência.
  • Traga algum lanchinho na bolsa e compre frutas que são vendidas pelos locais por um dólar para manter a fome sob controle e não perder o humor (pelo menos eu tenho que me manter alimentado o tempo todo). Tem melancia, banana abacaxi e outras.
  • Na cidade tem aula de culinária local. Pode ser interessante se você gosta de cozinhar.
  • Muitos pratos levam erva cidreira. Eu particularmente detestei. Tudo fica com gosto doce. Pedi uma lasanha de berinjela que tinha folhas e folhas da bendita. Só dava para sentir o gosto doce. Se você não curte, peça para fazer sem (no lemongrass).
  • Você poderá almoçar em algum restaurante dentro do complexo, só não espere luxo ou os melhores preços. Um prato econômico na cidade custa por volta de 3.5 dólares e no complexo pelo menos seis.
  • Ao visitar Angkor, eles pedem que nos vistamos de forma modesta, ou seja, cobrindo joelho e ombros. Tem um templo no alto de um monte no qual você não entrará se não estiver vestido adequadamente. Ele é popular para assistir ao pôr do sol. Se esquecer a roupa certa, você poderá comprar alguma no local. Elas são leves e têm estampas lindas. Muitos turistas usam.
  • Não se esqueça de tomar bastante líquido. Água por um dólar tem pra todo lado.
  • NÃO compre NADA de crianças. Elas te abordam fora dos templos falando inglês e muitas outras línguas. Trabalho infantil NÃO é bacana, fofo ou bonitinho.
  • Não troque seus dólares no aeroporto. Aliás, não troque seus dólares. Eles são aceitos em toda parte. Às vezes você vai receber troco em Riel (moeda local) que também é aceito por todos.
  • Os hotéis aqui geralmente oferecem traslado do aeroporto. Não se esqueça de mandar e-mail para eles confirmando seu voo e horário caso o serviço seja oferecido.
  • Em alguns templos tem uma senhora ou monge que dá uma benção e amarra uma fitinha no seu pulso como amuleto. Tire fotos para fazer inveja nos amigos e dê uma gorjeta depois, claro.
  • Se quiser se arriscar e praticar o desapego de sua beleza, corte cabelo num salão local. Você pode acabar com um corte que não via desde o início dos anos 90. No nosso caso, meu marido ficou com cabelo de cuia. Reuni o que havia de melhor em mim e não ri de imediato para ele se acalmar. No final das contas, eu mesmo tentei arrumar com uma máquina de fazer a barba. Sorte que ele não olhou a nuca ainda.