Podemos começar esse post pelo trânsito de Phnom Penh. Basicamente, não há lei. Se há, elas não podem ser vistas. Você quer atravessar a rua? Se decidir esperar a rua ficar vazia pode ser que você nunca atravesse. O esquema é ir com calma e caminhar no meio dos carros olhando para todos os lados o tempo todo. Lembre-se de que qualquer metro quadrado de via é considerado mão dupla. As motos estão por todos os lados e os tuk tuks também. Grandes cruzamentos não têm sinal de trânsito e todos vão ao mesmo tempo. O mais interessante, para mim foi que eles não ficam bravos. Você escuta bastantes buzinas, mas não vê pessoas enfurecidas ou xingando.

Pegamos um ônibus de Siem Reap para Phnom Penh. A empresa é a Giant Ibis. Quando fomos comprar os bilhetes no próprio hotel onde estávamos, a recepcionista perguntou se gostaríamos de ir no primeiro ou segundo andar. Ao entramos no ônibus entendemos que há somente um andar, mas ele tem dois níveis com camas. Tipo beliches. Nunca tinha visto! Foi bem confortável e tinha tomada.

As pessoas foram gentis conosco a maior parte do tempo. Elas se mostraram genuinamente preocupadas em nos ajudar quando pedimos.

Passamos em frente a um lava jato. Tinha umas seis pessoas lavando um carro. Seis pessoas para um carro.

Grande parte da população é extremamente pobre. Falta saneamento básico, coleta de lixo e planejamento urbano. Siem Reap, possivelmente, não te dará a oportunidade de ter contato com esse lado do Camboja como Phnom Penh.

Os principais pontos turísticos da cidade são o campo de extermínio Choeung EK, a prisão do regime Khmer Rouge, o Palácio Real e o Museu Nacional. Tivemos dois dias completos e eles foram suficientes.

Outra atração é visitar ONGs. Com uma história marcada por acontecimentos tristes e um presente de muita pobreza, várias organizações atuam na capital para promover melhorias para a vida da população. Muitos deles têm restaurantes, cafés, lojas de artesanatos que dão oportunidades de emprego e novas profissões a cambojanxs. O mais famoso deles é a Daughters of Camboja. Eles se dedicam a ajudar mulheres vítimas do tráfico de pessoas e exploração sexual. Lá tem uma loja de artesanato e um café. Fica pertinho do Museu Nacional.

Numa noite especial, fomos a um restaurante chamado Dine in the Dark, que tem uma proposta muito interessante. Você come em absoluta escuridão. Ao chegar, o cliente é recebido pela hostess em um local iluminado onde ela te mostra um cardápio com preços e três opções de menu: ocidental, local ou vegetariano. Cada um deles tem entrada, prato principal e sobremesa, mas você não sabe exatamente o que vai comer. Você deve dizer se há alimentos que você não come. Eles pedem para deixar qualquer objeto que emita luz em uma caixa que o cliente tranca e fica com a chave. Um guia cego vem te buscar te leva até a mesa e serve os pratos. É incrível entrar em um ambiente totalmente escuro. No início meu deu ansiedade, mas depois achei ótimo. Os sentidos ficam aguçados e acabamos experimentando a comida de outra forma. Percebemos melhor os sabores e texturas. Recomendo levar um álcool para limpar a mão porque dá vontade de tocar para saber a forma e a textura do alimento ou ver se ainda tem alguma coisa no prato. A gente reflete sobre a vida de uma pessoa cega, nosso apego à visão e falta de disposição de ver o mundo de outros modos.

Eu não vou contar o que comemos porque pode ser que te sirvam algum prato igual. O que posso dizer é que a comida é muito boa, embora não seja espetacular. A experiência como um todo é fantástica. Recomendo que você procure em outras cidades do mundo caso não possa fazer aqui.

DICAS

  • De noite, é legal ir ao bairro BKK1, onde há muitos restaurantes legais.
  • Os lugares não aceitam cartões, assim como nos outros países que visitamos por aqui. Leve dinheiro ou saque nos caixas eletrônicos. Olhe com seu banco com muita antecedência se ele oferece saque no exterior e quais são os custos. Em geral, comprar a moeda em espécie é mais barato. Eu sempre trago a maior parte em espécie e faço alguns saques com meu cartão do Banco do Brasil.
  • O palácio requer roupas apropriadas. Ou seja, joelhos e ombros cobertos. ALIÁS, aquelas roupas reveladoras que adoramos usar no calor não são práticas na maior parte do sudeste asiático. Deixe-as para as praias.
  • Muitos locais fecham entre 11 e 14. Esse foi o caso do palácio real. Se você tiver pouco tempo na cidade isso pode atrapalhar muito. Tente se programar para visitar o campo de extermínio ou a prisão nesse horário.
  • O preço da comida foi 18 dólares por pessoa. O Dine in the Dark fica perto do Museu Nacional, na rua 19. Se eles servirem camarão, guarde o rabinho para jogar no colega no meio do jantar. Ele vai tomar um baita susto e você terá uma crise de riso daquelas memoráveis.
  • Deixe seu repelente de insetos em local acessível na mala quando foi para o aeroporto. Ele estava tomado por milhões de pernilongos famintos na área de check in. Depois, não se esqueça de colocá-lo na mala para que você não tenha que jogá-lo fora na hora de entrar para a sala de embarque.
  • O bilhete do Giant Bus custou 15 dólares.
  • O Colgate que comprei tem gosto de sal. Parece que você está comendo algo e não escovando os dentes. É um pesadelo.