Se você viu o filme A Praia, com o Leonardo di Caprio, você deve ter sonhado em ver aquele lugar de perto. Bem, ele está bem próximo da ilha de Phi Phi e se chama Maya Bay. Chegar a Phi Phi tem que ser de barco. Geralmente, as pessoas saem de Krabi ou Phuket, ambas com aeroportos servidos por companhias aéreas low cost. Você não precisa, necessariamente, dormir em Phi Phi para visitar a ilha, já que há excursões de um dia que saem de Krabi ou de Phuket. A Tailândia tem também muitas outras ilhas paradisíacas e muitos viajantes vão a mais de uma delas. Eu não sou muito fã de praias e por isso me restringi a uma.

Chegamos a Phi Phi de ferry depois de uma viagem de uma hora e meia saindo de Krabi. Até Krabi nós chegamos em um voo direto de Chiang Mai. Bem no píer tem muitos carregadores de malas que seguram placas com nomes de hotéis. A ilha é montanhosa e alguns hotéis são difíceis de chegar arrastando a mala ou com mochila nas costas. Por isso eles tem carregadores que usam carrinhos para puxar as malas morro acima. Alguns hotéis são mais isolados e é preciso pegar um barquinho que é chamado de long tail boat.

A ilha tem praias lindíssimas, de areia clara e água azul daquela que a gente acha que foi feita no photoshop. Lá também tem a maior concentração de mochileiros sarados segurando uma go pro que já vi na vida. As praias não ficam muito lotadas. Parece que durante o dia boa parte da galera dorme e tenta se recuperar da noitada. Por falar nisso, Phi Phi tem baladas peculiares. Tem três grandes bares na beira da praia que começam a noite com som ensurdecedor e um show de malabarismos com fogos de deixar qualquer pessoa sã com medo e pena dos artistas. Eles balançam bolas em chamas presas em correntes e bastões flamejantes com abilidade somente equiparada a de Jackie Chan e Bruce Lee.

Depois do show dos artistas, começa o show de horrores. Durante o dia é difícil não reparar que muitos andam com a perna enfaixada. Mas é muita gente pra ser só uma coincidência. De noite isso é explicado. Depois dos profissionais, pessoas _______________ (preencha com o adjetivo que você julgar adequado) participam de uma brincadeira que começa com um bastão longo em chamas paralelo ao chão apoiado por duas barras de ferro. Que quiser tenta passar tipo fazendo aquela coreografia da dança da cordinha da saudosa banda É o Tchan. Penso eu, que os brasileiros se saem bem nessa parte do show. Aos poucos eles vão descendo o bastão para aumentar o nível de dificuldade e a possibilidade de alguém atear fogo ao próprio cabelo. Mas se ninguém conseguir essa proeza, ainda há a chance de se queimar quando um pedaço do tecido em chamas enrolado ao bastão cai.

Para compor a cena, em volta desse espetáculo, ficam umas três ou quatro pessoas segurando placas que oferecem um balde de bebida à mulheres que mostrarem os seios ou a homens que ficarem totalmente nus. Sim, algumas pessoas fazem isso e ninguém parece notar. Mas o que é um pedaço de pano que tampa os seios de uma mulher ou a genitália masculina (não gosto dessa palavra, mas tenho classe) em meio a um grupo que está mesmo interessado no fogo (aqui no sentido literal mesmo)? Enfim, nada parece ser motivo para chocar ou causar espanto em Phi Phi.

Voltando ao fogo, ainda tem a parte em que as pessoas podem pular corda em chamas. Claro que quando você não pula direito você recebe uma chibatada nervosa e quente na perna. Mais de uma pessoa pode se divertir ao mesmo tempo e em dado momento eles colocam duas cordas, sendo que cada uma vai em um sentido para aumentar o número de feridos. Eu seriamente suspeito que há algum acordo entre os donos de bares e as clínicas da ilha.

Ninguém é obrigado a participar das brincadeiras, você pode só olhar e exercitar seu lado sádico. De qualquer forma, depois disso, esses mesmos bares tocam música eletrônica. Eu particularmente gosto do fato das baladas serem ao ar livre ou em bares abertos. Do tipo que entra quem quer, não paga nada e não tem galerinha vip. O povo vai de chinelo mesmo ou sem camisa até. Só não  esqueça o kit de primeiros socorros.

A propósito, lá a bebida é servida em pequenos baldes que custas a partir de 200 BHT. Eu realmente não sei quantos uma pessoa normal conseguiria tomar, mas a parada tem muito conteúdo. Se você achar pouco as praias paradisíacas e as baladas inovadoras, você pode fazer algumas tatuagens nos vários estúdios que sempre parecem ter clientes. Sim, eles funcionam de noite.

O lado triste da ilha é que ela é explorada de forma desordenada e há um hotel enorme sendo construído na encosta de uma montanha. Também há muito lixo em várias partes que acabam cheirando mal. A impressão que dá é que a natureza está sendo destruída aos poucos. A água da praia onde acontece as baladas não é limpa, embora seja super clara. É melhor andar até a Long Beach.

Dicas

  • Perto do píer tem um lugar bacana para tomar shakes de frutas deliciosos chamado The Mango Garden. É mais caro que na rua mas é muito melhor. O preço é 110 BHT.
  • Também perto do píer, tem um restaurante francês muito bom de nome Grand Bleu. Eles servem comida local também. Embora os preços sejam muito superiores à média de outros restaurantes locais, ainda assim será muito mais barato que uma comida similar no Brasil. Lá tem, por exemplo, uma entrada de risoto de vieira que custa 180 BHT, um prato principal de camarões king com pesto por 350 BHT e um creme brulee de baunilha por 170 BHT.
  • Miga, sua louca. Seje menas. Não brinque com fogo.