Eu não costumo me dar muito bem com cidades cuja principal atração é um arranha-céu (vide post sobre Dubai). Felizmente, com Kuala Lumpur foi diferente.

Chegamos pelo aeroporto principal no voo vindo de Phnom Penh e pegamos um ônibus para a estação central onde passa a linha de metrô que fica perto de nossa hospedagem. Geralmente eu tiro um print da tela no celular com endereço e o mapa da região do hotel. Desta vez, entretanto, eu acho que meu celular se rebelou e resolveu apagar a tal da foto. Como eu tinha os dados da reserva, não foi difícil a atendente do balcão de informações localizar o hotel em um mapa turístico. Sai da estação e fui andando arrastando minha mala. Ela não é muito grande ou pesada, mas num calor de 35 graus e humidade amazônica ela parecia um trator. Depois de andar bastante, me arrepender de não ter optado pelo taxi, experimentar níveis de calor inéditos e suar feito uma chaleira eu cheguei.

Cheguei no hotel errado.

Há dois hotéis de mesmo nome. Um estava bem do lado da estação de metrô onde desci e era o meu. O outro demandava uma caminhada de 25 minutos em condições adversas. Respirei fundo e peguei um táxi.

Logo saí em busca de comida. Calor e fome eu não consigo gerenciar ao mesmo tempo. Estávamos hospedados em frente às Petronas Towers e lá tem um shopping. E shopping tem ar condicionado e comida. Comemos um frango com arroz numa chapa de pedra fumegante. Bom e barato! Comecei a melhorar. Depois fomos a uma livraria no último andar que era um sonho. Vi todos os guias da Lonely Planet que gostaria de comprar. Não comprei nenhum. Típico.

As torres em si são bem bonitas. De noite, ainda mais. Você pode pagar uma pequena fortuna para subir e ver a paisagem. Eu não sou fã de subir em prédio para ver a cidade, mas muita gente é. Lá perto também tem um aquário bem famoso.

De noite fomos jantar na Jalan Alor, uma rua cheia de barracas com comidas variadas e deliciosas. Comi dumplings chineses fantásticos. Na Malásia viajamos com minha prima e o namorado dela da Arábia Saudita. Ele achou um restaurante de comida árabe e lá fomos nós. Comi como se não houvesse amanhã. Kuala Lumpur é uma cidade cosmopolita, você pode encontrar comida de toda parte. Aproveite.

No dia seguinte, tivemos que gerenciar vontades diferentes. O namorado de minha prima queria muito ir a um parque aquático. Nós queríamos estar com eles, mas o parque era um pouco caro e só teríamos mais aquele dia para turistar. Conclusão, cada um para um lado. Companhia de viagem boa é assim. Começamos o dia nas Batu Caves. No norte da cidade há um complexo de cavernas e lá dentro tem um templo induísta. São 272 degraus até o topo. Parece muito, mas não foi tão difícil assim. Depois de tantos templos budistas foi muito bom ver rituais diferentes e novas cores e cheiros. Recebemos uma benção e ganhamos uma pintura na testa. Muito amor pelas religiões que fazem o bem!

Lá também tem uma caverna escura que você pode visitar acompanhado de um guia. Até um tempo atrás a entrada era liberada. Galera quebrou e rabiscou geral e a festa acabou. A visita durou 45 min. É lindo e grandioso. Deu pra ver uns insetos estranhos e aranhas.

Perto da começo da escadaria tem uma estação de trem que usamos para ir. O problema dele é que o intervalo entre os trens é de 30 mins e com o tempo corrido resolvemos pegar um táxi na volta. O primeiro motorista se negou a usar o taxímetro e queria cobrar 15 ringgits. Pensamos que o preço certo deveria ser por volta de 10 e procuramos outro que concordou em usar o taxímetro. O senhor deu umas voltas sinistras numa rodovia e passou até por pedágio. Ao questiona-lo, ele disse que o caminho normal estava engarrafado. Fiquei possesso. O cidadão tava dando uma de bacana, falando que torcia pelo futebol do Brasil, mas mal sabia ele que futebol não me sensibiliza. Fiquei reclamando, dizendo pra ele que aquilo não era certo. Conclusão, ao chegar, a conta já estava 35. Ele disse que não precisava pagar. Eu ofereci dez e ele jogou em mim. Recolhi meu dinheirinho e parti. Eu fiquei pensando depois se valeu a pena a discussão. A verdade é que se eu tivesse deixado pra lá eu teria me sentido ainda pior. É por essas e outras que eu não gosto de pegar taxi.

Nosso tour continuou na Merdeka Square, uma praça ampla com prédios lindos em volta (muitos no estilo islâmico). Tem também uma placa grande e vermelha “I love KL” legal pra fotos. Bem pertinho está a mesquita Masjid Negara que é linda, mas só pudemos ver um pouquinho do lado de fora já que ela estava em obras. Caminhamos bravamente sob o sol mais escaldante dessa jornada desejando ardentemente por uma sombrinha. A próxima parada foi uma mesquita muito grande de nome Masjid Negara. Quando não está havendo oração, turistas não muçulmanos podem visita-la. Os funcionários foram extremamente gentis. Eles nos emprestaram uma roupa longa e no final ganhamos até uma aguinha. Depois, bem pertinho, fomos ao museu de arte islâmico que é fenomenal. O acervo é impressionante e o prédio lindíssimo. Tem uma loja que vende souvenires e objetos artísticos que é de tirar o fôlego.

Havia mais coisas para fazer, porém o tempo era muito curto e fui embora da cidade surpreendido com o tanto que gostei das atrações, das pessoas e da comida!

DICAS

  • Se possível, use o Uber. Sempre, em qualquer lugar.
  • Prepare-se para o pior calor que senti no sudeste asiático. Tente sair cedo e fazer uma pausa bem longa no meio do dia.
  • Esteja aberto a experimentar a comida de rua. Escolha as barracas mais movimentadas e lembre-se que os padrões de higiene do país costumam ser muito rigorosos.