Eu sempre acho bom não visitar somente a capital de um país, já que cidades grandes não podem dar ao viajante uma experiência ampla do estilo de vida de um povo. Por isso, além de Atenas, escolhemos Santorini e Nafplio, na tentativa de ver um pouquinho mais da Grécia. Nafplio costuma ser a base para explorar a lindíssima península de Penopoleso. A cidade fica a aproximadamente duas horas de ônibus de Atenas. A cada hora sai um ônibus do terminal de Stathmos Kiffisos. Nós não compramos com antecedência, mas foi tranquilo, já que era baixa temporada.

Se Santorini estava meio morta, Nafplio estava bem movimentada, com muitos gregos aproveitando o recesso de final de ano entre Natal e Ano Novo para relaxar, passeando pelas ruas charmosas, cheias de cafés e lojinhas. Logo ao chegar, chama atenção o castelo no topo da montanha (Palamidi Castle), bem ao lado do centro histórico. Ele pode ser uma boa forma de começar a explorar a região. A entrada custa 8 euros e a vista lá de cima é fabulosa e a construção em si é impressionante e bem conservada. Você pode subir de taxi (10 euros) ou por uma escada miseravelmente grande que pode te ajudar a diminuir a culpa de comer feito um lutador de sumô. Bem ao lado da escada, na base da montanha, você pode ir a uma praia linda, chamada Arvanitia. Aproveite para percorrer o caminho que começa na praia e circunda a costa que cera o centro histórico da ciadade. Outra possibilidade é subir a estrada à direita da entrada para a praia, chegando a muralha que fica atrás do centro histórico de Nafplio. Lá de cima você vê o castelo, a cidade e a praia. É imperdível. Não deixe de ira até o final, porque a vista só melhora.

Perto de Nafplio tem muitas atrações, mas, por causa do tempo limitado, optamos por visitar somente duas delas. Alugamos em carro e fomos primeiro para o teatro de Epidauros (12 euros), que fica 35 km da cidade. Os teatros gregos antigos são belíssimos, uma prova da sofisticação da engenharia e do valor que eles davam a cultura. No verão, ele recebe espetáculos todos os fins de semana, onde 15 mil pessoas assistem a apresentações sem precisar de microfone ou caixas de som! Antes de ir, é bom se informar um pouco sobre o teatro grego para entender melhor o significado dele na cultura da Grécia Antiga e seus desdobramentos na nossa. Depois de ficarmos embasbacados com o teatro, fomos a Micenas (50 km de distância do teatro – 12 euros para visitar). Lá tem um sítio arqueológico que permite ver as ruínas da cidade que foi um dos locais mais importantes para a civilização grega no segundo milênio antes de Cristo. A paisagem é deslumbrante.

Uma coisa inédita dessa viagem foi uma visita a emergência de um hospital fora do Brasil. Minha prima pegou uma gripe muito forte e justo no dia primeiro de janeiro nós fomos a procura de um hospital. Como era feriado, em Nafplio não tivemos sorte, já que o hospital da cidade estava fechado. Fomos então, de táxi, para a cidade de Argos, bem ao lado. Tudo começou bem, com atendimento rápido e cuidadoso de uma médica que fez eletrocardiograma, exame de sangue e raio x do pulmão na minha prima. O B.O. foi que o resultado do exame de sangue demorou horas e horas para sair. Enquanto isso, ficamos aguardando em meio ao caos de um hospital público grego que lembra um pouco os nossos. Poucos profissionais e muita gente tentando somente ser tratada com dignidade. Tinha um homem que teve derrame que ficou numa maca na sala de observação aguardando remoção para Atenas durante horas sem auxílio de médicos ou enfermeiros. Ele gemia o tempo todo e sua mãe ficava tentando acalma-lo, embora ela também precisasse urgentemente de apoio e acolhimento. Depois dos resultados em mãos e a receita dos medicamentos, saímos sem pagar absolutamente nada, já que era hospital público. Sempre bom lembrar que é loucura sair do Brasil sem seguro de viagem que cubra emergências médicas. Inclusive, ele é obrigatório para entrar na Europa. Nós chegamos a ligar para o seguro antes de sair do hotel e eles nos orientaram a pegar todas as notas para ressarcimento no Brasil, inclusive dos remédios.

DICAS

  • Chegue cedo no teatro, evitando assim as multidões que chegam em ônibus de excursão.
  • Alugar um carro é ótimo, te dá liberdade para visitar as diversas atrações perto de Náfplio, mas na cidade em si não é bom rodar com o carro. O centro histórico é pequeno e estacionar é um caos.
  • O restaurante Aoilos fica no centro histórico, tem clima familiar, comida ótima e bons preços. No final, eles te dão uma bebida destilada tradicional grega que desce rasgando.
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