A primeira lembrança de Budapeste que terei será o frio, ou melhor, o gelo, a visita ao polo norte disfarçado de cidade europeia. Ok, eu deveria saber que estaria tão gelado, mas eu achei que seria mais fácil tolerar. Pegamos -15 com muito vento. Ficamos quatro dias na cidade e os dois primeiros foram de bater o queixo. Nos dois últimos acho que eu estava me acostumando ou simplesmente tive o corpo adormecido e as terminações nervosas inutilizadas, então foi mais fácil tolerar. Para compensar, a cidade é maravilhosa! As edificações históricas são de cair o queixo e estão por toda parte.

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Começamos nossa visita com um walking tour (https://www.tripadvisor.pt/Attraction_Review-g274887-d1566303-Reviews-Free_Budapest_Walking_Tours-Budapest_Central_Hungary.html). Para quem nunca fez, é bastante comum em cidades históricas algumas empresas oferecerem passeios a pé com um guia que te conta principalmente a história do lugar. No final, cada um dá o tanto que acha justo. Foi muito bom como uma introdução a história da Hungria e para ver que o frio seria de cortar a pele.

Budapeste é dividida pelo Rio Danúbio. Na verdade, Buda e Peste eram duas cidades diferentes e é legal que você comece sua visita por Buda, que é mais alta e te permitirá ver o panorama da cidade toda e entender sua organização melhor. Em Buda, você tem o castelo da cidade que é interessante, mas não pode ser visitado por dentro. De lá, vá andando até a Igreja de São Matias (1440HUF) que é maravilhosa. Bem ao lado, você poderá visitar o Bastião dos Pescadores (grátis, com exceção de algumas torres que custam 800 HUF), construído para fins turísticos, ele te dará mais uma oportunidade de ver cidade de cima. Há outras atrações próximas, mas é importante que você não deixe de caminhar pelas ruas da região que te darão uma experiência diferente da que terá do outro lado do rio.

A ponte Pênsil Széchenyil Lánchíd (grátis) domina a paisagem do Danúbio ligando os dois lados da cidade. É lindo caminhar por ela, mas difícil de explicar a beleza da junção do rio e edificações incríveis que estão por todo lado.

Uma das minhas atrações favoritas foi a Sinagoga Nagy (4000 HUF). Ela é a maior na Europa. Tem visitas guiadas o dia todo, mas é bom conferir no site o horário de cada idioma, já que a maior parte delas são em inglês. Se você preferir, também tem em espanhol e outras línguas, como alemão e italiano. Além de aprender um pouco sobre a cultura judaica, você aprenderá sobre a história dos judeus na Hungria. Durante a segunda guerra, a Hungria ficou do lado da Alemanha. Entretanto, ao perceber que eles provavelmente perderiam o conflito, o país tentou negociar um tratado com as forças aliadas. A Alemanha não gostou nada disso e ocupou o país em 1944. Os horrores do holocausto chegaram então até lá. Havia, aproximadamente, 825000 judeus no país na época. Eles foram ordenados a viver em locais específicos nas cidades, chamados de guetos, onde eles não tinham comida, água ou espaço suficientes. O inverno daquele ano foi extremamente rigoroso, o que tornou a situação ainda pior e levou a morte de muitas pessoas. Ainda em maio, a deportação em massa dos judeus começou e em dois meses aproximadamente 440000 pessoas foram levadas, principalmente, para Auschiwitz. No total, mais que 600000 judeus foram mortos. Nas dependências da sinagoga, há um lindo memorial em homenagem a essas pessoas. Também há um lindo memorial na beira do rio, chamado “Sapatos às Margens do Danúbio” (grátis). São sapatos de ferro vazios que capturam a ausência das vidas dizimadas pela maldade humana. Judeus tinham que tirar seus sapatos antes de serem fuzilados na beira do rio durante o horror nazista da segunda guerra. O gelo do clima contribuiu para deixar os sentimentos mais pesados e fiquei me sentindo muito mal. Eu também já havia visitado um campo de concentração na Alemanha há alguns anos e as lembranças voltaram bastante em Budapeste.

É tradição na cidade frequentar banhos termais. É tipo Caldas Novas dentro de São Paulo. Quer dizer, não há complexos de hotéis que foram erguidos para o propósito de oferecer águas relaxantes para turistas. O que existe em abundância é algo como clubes cheio de piscinas, banheiras e saunas de diferentes temperaturas. Além de ser relaxante, é uma oportunidade de experimentar a vida da cidade participando de algo tradicional. Ou seja, mesmo se você vier no frio, traga sua roupa de banho. É bom também trazer as toalhas do hotel. Nós fizemos isso e eu não sei se seria possível alugar. Nós formos no Lukas (3300 UHF), seguindo a indicação do guia do walking tour. Logo na entrada, eles perguntaram se alugaríamos armários para nossas coisas ou se gostaríamos de alugar uma cabine. Na verdade, há cabines de troca mesmo se você pagar somente pelo armário. A diferença é que se você alugar a sua, você poderá deixar suas coisas trancadas dentro dela e terá mais espaço. Enfim, achei que não era necessário. Não há área masculina e feminina, todos ficam juntos. A maior parte do público era de pessoas mais velhas. TEm piscinas na área interna com diversas temperaturas. Tem também outras na parte de fora onde dá para nadar e muita gente usa para praticar natação. Além disso, há massagens (pagas a parte) e saunas. É muito bom! Já me imaginei aposentado curtindo as piscinas termais de Budapeste todo dia. Delícia!

Outra experiência interessante é ir à ópera ou a um concerto de música clássica. Veja os sites https://www.jegymester.hu/eng/PlaceInfo/100/Hungarian-State-Opera para as óperas e http://www.budapest.com/things_to_do/budapest_events/concerts/organ_concert_in_st_stephens_basilica.en.html para os concertos que as vezes acontecem na basílica. Nós fomos assistir a Flauta Mágica, de Mozart. Foi muito interessante ver várias crianças bem novas interessadas em um espetáculo que durou três horas. Eu penso que eles não crescerão adultos como eu que acabei saindo discretamente no intervalo. Me julguem! Detalhe, há óperas com tradução par a inglês em um visor que fica acima do palco. Eu imagino que seria melhor se eu tivesse conseguisse entender alguma coisa que estava se passando na história, já que eu fui a um espetáculo que não tinha essa tradução e foi tenso.

A visita ao Parlamento húngaro é bastante famosa e concorrida. Você tem um guia que vai te conduzindo e contando a história do prédio que é maravilhoso e se mistura à história do país. Ele é um dos prédios legislativos mais antigos da Europa, sendo que sua construção se estendeu de 1885 até 1904.

A cidade Szentendre é uma ótima opção para ver um pouco da vida do interior. Ela fica bem pertinho, dá pra ir de trem (40 mins saindo da estação Batthyány Square) e é linda. Tem aquelas ruelas charmosas e fica à beira do Danúbio. Se você tiver mais tempo, vale a pena visitar outras cidadezinhas da região, como Visegrád e Esztengom.

 DICAS

Você pode comprar os ingressos para a sinagoga e para o parlamento na internet. É aconselhável fazer isso, especialmente para o parlamento, que é lindo de morrer. Ambos ficam lotados e pode ser que você não encontre ingressos na hora.

Eu pensei que Budapeste seria uma cidade mais barata que outros destinos na Europa. Engano meu. As coisas por lá foram bem carinhas, especialmente as atrações turísticas.

O restaurante Hungarikum Bisztro serve comida local deliciosa a preços razoáveis. Fica sempre lotado e é necessário fazer reserva. Ele fica próximo ao parlamento.

Aos domingos, acontece o delicioso farmer’s market no Szimpla. O local é um pub em ruínas. A decoração é caótica e a impressão é de estar em um lugar realmente caindo aos pedaços. Se você não for da night, o mercado será a oportunidade ideal para conhecê-lo