Depois de ter praticamente congelado na Hungria, eu estava muito animado para chegar a Lisboa que, com seus 12 graus, seria para mim tipo o verão do RJ. Assim que desembarquei, comprei um chip da Vodafone por 10 euros que me deram 30Gb de internet. Chupa essa Braseeeel!! Com ele, chamei um Uber por módicos 7 euros para nos levar até nosso apartamento alugado no Airbandb. Eu sempre compro um chip local para usar a internet em minhas viagens. Eu resistia à ideia por algum tempo, porque eu não queria ficar muito conectado às redes sociais. Acabei cedendo, já que facilita muito as coisas. Eu uso o Tripavisor e Google Maps online, chamo Uber, leio informações sobre os locais que estou visitando…

É possível fazer o download de muitas cidades no TripAdvisor e também dá para salvar mapa no Google Maps. Então, se você preferir economizar seus preciosos Euros, dá para usar bastante coisa off-line. Outro detalhe, eu evito ao máximo pegar taxi no Brasil e no exterior muito mais. Já tive várias experiências negativas e invariavelmente sinto que estou sendo enganado pelo motorista. O Uber tem serviço melhor e você sabe quanto vai custar a corrida. Se estiver viajando com outras pessoas, pode ser mais barato que o transporte público e muitas vezes mais prático também.

Quanto ao AirBnB, foi a primeira vez que usei. Há muito tempo eu tenho vontade de usar, mas meu marido não curte muito a ideia de se hospedar na casa de alguém e preferia ter um apto só para nós. Geralmente, um apto todo para duas pessoas fica mais caro que hotel. O preço compensa se você topar alugar um quarto ou se você estiver viajando com um grupo maior e pegar o local todo. Como nessa parte da viagem nós éramos 6 pessoas, reservamos uma cobertura no bairro histórico de Alfama. O lugar era ótimo e deu aquela sensação de estar mais próximo da vida local. Eu, particularmente, não curto a impessoalidade de grandes hotéis.

Lisboa é uma cidade linda e relativamente fácil de explorar a pé, metrô ou bondinho. A exceção fica por conta do bairro de Belém, que é mais afastado e onde o metrô não chega e tem que pegar o bondinho ou ônibus. Fomos lá logo no primeiro dia, já que queríamos, com a máxima urgência, experimentar os verdadeiros pastéis de Belém. Você os encontra por toda a cidade, mas os melhores, os originais, os imperdíveis, aqueles que te fazem mofar na fila, derramar lágrimas de prazer e ter certeza de que tudo faz sentido ficam lá. O restaurante é enorme e tem 400 lugares para sentar. As vezes tem uma fila monstra para comprar do balcão e levar, mas está vazio na parte das mesas. O pastel de nata é o que os tornou famosos. O de lá tem uma massa folhada maravilhosa em que você sente cada camada quebrando na boca. Outros quitutes também parecem ser gostosos, mas além do pastel de nata nós só comemos o pastel de bacalhau, que também estava divino! Depois de satisfazer parte de meu desejo de comer, pudemos pensar em outras coisas turísticas da região. Fomos à torre de Belém e nos ferramos ao descobrir que o Mosteiro dos Gerônimos estava fechado para o funeral de um ex presidente. Ok, pena que o homem tenha morrido, mas que azar o nosso de ir lá justo nesse dia. Além de não termos entrado, corremos ainda o risco de esbarrar com o FORATemer, a personificação de tudo aquilo que há de mais podre em nosso país. Ele estava por lá para o enterro. Felizmente, não o vi. Tivemos que voltar a Belém outro dia para ir ao Mosteiro, que é muito bonito e valeu a visita. Obviamente, voltar a Belém permitiu comer mais pastéis. Então tudo bem.

A Alfama foi o bairro de Lisboa de que mais gostei. É o mais antigo, cheio de ruelas, ladeiras, edificações históricas e aquela sensação gostosa da Europa de estar no passado. O Castelo de São Jorge está lá e achei que a visita valeu mais pela vista da cidade que pelo castelo em si. De preferência, vá em um dia de céu aberto para ver a cidade melhor. O restaurante de Lisboa de que mais gostei fica no bairro. Ele se chama Lisboa Tu e Eu. É minúsculo, só tinha um garçom e a esposa dele que era a cozinheira. Não havia divisão entre a cozinha e a área das mesas, dando a sensação de que estávamos na casa de alguém. A comida era divina e com bons preços. A sardinha marinada, particularmente, era sem noção de boa. Na região, também visitamos as Igrejas de Santo Antônio (a minha favorita em Lisboa) e a Sé de Lisboa. Se for no final da tarde, aproveite para ver o pôr do sol no miradouro Senhora do Monte.

Outros bairros muito bons para andar, comer, turistar são Chiado e Bairro Alto. Ambos são históricos e cheio de vida. Não deixe de ir ao Convento do Carmo. Ele está parcialmente destruído devido a um grande terremoto de 1755. Na região, você também pode encontrar lugares para assistir a um show de Fado. Esse é o nome da música tradicional portuguesa, cantada geralmente por uma pessoa e acompanhada por uma guitarra clássica e uma guitarra portuguesa. Ele é cantado com veneração, sentimento. Todos devem ouvir em silêncio, de maneira que não é considerado respeitoso ter alguém cantando fado em um restaurante durante o jantar. Geralmente, os lugares deixam o show para depois da comida. São muitas as opções e eu recomendo o Fado em Chiado http://www.fadoinchiado.com/. Eu acabei deixando o fado para Porto, mas o que eu fui é do mesmo grupo que faz esse que indiquei e foi muito bom. Além disso, eles têm ótimas reviews no TripAdvisor.

A comida em Portugal foi uma coisa linda. Nós comemos como se não houvesse amanhã, embora ele tenha chegado rapidamente e em forma de pança. Não deixe de ir ao Mercado da Ribeira. Lá você vai encontrar muitos restaurantes de comida tradicional e outros de comida de outros países também. Fomos três vezes e comemos pratos deliciosos em todas elas. Embora alguns chefes dos restaurantes tenham até estrela no Michellin, o ambiente é informal, com mesas coletivas e os preços bons. Os pratos custam por volta de 11 euros. Não esqueça de deixar espaço para o pastel de nata da Manteigaria que está no mercado também. Se não houver espaço, coma assim mesmo por motivo de que é bom e que se dane a pança.

Confesso que tinha umas expectativas estranhas em relação à Portugal. Sei lá, talvez algo relacionado a um ranço da invasão e pilhagem do nosso país pelos portugueses. Enfim, acabei evitando o país quando morei na Europa, há dez anos. Entretanto, dessa vez, depois de ouvir incontáveis amigos e conhecidos dizerem maravilhas dessa terra, resolvi ver como era. Também pesou o fato de ter duas grandes amigas morando em Lisboa que amam a cidade e seria lindo por encontra-las (e foi!). As duas me presentearam com a presença amiga e carinhosa e me apresentam dois ótimos restaurantes que estão logo abaixo, na seção DICAS. Devo dizer que, apesar das minhas dúvidas anteriores, Portugal deixou uma impressão engraçada, extremamente agradável. Há algo peculiar, verdadeiramente histórico, uma forma de se reconhecer brasileiro pela familiaridade das ruas da Alfama e da língua, ao mesmo tempo em refletimos sobre quem gostaríamos de ser como nação. Aqui, parece que as vantagens do estilo de vida europeu poderiam ser de alguma forma mais nossas. Meio difícil de explicar, mas é como se fosse mais fácil de imaginar no nosso país, ao andar pelas ruas de Lisboa, itens básicos que nos são negados, como segurança pública, transporte e educação de qualidade. Afinal, a gente viaja para comer, claro, mas também para tentar, ainda que inutilmente, entender o mundo.

DICAS

  • Há pasteis de Belém (pasteis de nata, na verdade) em muitos lugares pela cidade. Os da Manteigaria e da Fábrica de Nata são ótimos. Na Fábrica da Nata também tem umas quiches de queijo divinas.
  • Embora seja contra a lei, em Portugal, muitos restaurantes colocam entradas na sua mesa sem perguntar se você quer ou te falar que são cobradas. Se você não quiser, mande levar de volta.
  • O restaurante Fabrica Lisboa  é especializado em croissants. Lá é muito bom para lanches ou café da manhã e fica perto da praça da Praça do Comercio e da igreja de Santo Antonio.
  • Restaurante tradicionais em Lisboa costumam ser chamados de Tascas. Vá ao A Provinciana, próximo da Praça Restauradores, para comer comida simples e tradicional feita por uma família que se divide entre cozinhar e atender aos clientes.IMG-20170114-WA0001
  • O restaurante Bairro do Alvillez, no Chiado, serve uma comida típica, em porções modestas que te permitem comer várias e experimentar coisas diferentes. Delícia e preço justo!