Pensando no esquema que geralmente adoto em minhas viagens, Évora apareceu como uma chance de visitar o interior de Portugal para ver o país além de sua capital, Lisboa. Se Sintra deixou uma sensação de que ficamos muito pouco, Évora pareceu ser a cidade ideal para uma visita de um dia apenas. A cidade fica a 1:30 de distância de trem da capital (13,50 euros – https://www.cp.pt/passageiros/pt) e está em uma região chamada Alentejo. Essa parte do país tem maior IDH que a média nacional, é ainda mais segura e compreende três distritos inteiros e parte de outros dois, sendo Évora o município com maior população da região.

A cidade tem cara de que está congelada no tempo, com ruas calçadas em pedra, igrejas e restaurantes tradicionais. Para quem conhece as cidades históricas de MG, as comparações são inevitáveis. Na verdade, antes de decidir por Évora, eu estava considerando Óbidos. Talvez para mim, mineiro, Óbidos tivesse proporcionado uma experiência mais interessante, já que em Évora eu e meus companheiros de viagem tivemos a nítida impressão de estarmos na irmã da também lindíssima Tiradentes.

Como geralmente acontece em cidades históricas tão bem conservadas, a atração é o centro histórico em si, não necessariamente a visita a lugares específicos. Andar pelas ruas e praças com calma, procurar um lugar gostoso para comer (porque sempre estou procurando um lugar para comer) são atividades tão ou mais importantes que a visita a igrejas ou museus. Por falar nisso, A Capela dos Ossos (4 euros) está dentro da Igreja de São Francisco e é bastante interessante. Com suas paredes revestidas em ossos humanos, seu objetivo é lembrar aos fiéis e aos infiéis de sua mortalidade, condição humana e, portanto, necessariamente perecível. Para aumentar o climão (como se fosse preciso algo mais), você lerá a frase “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. É chocante, mas cumpre seu papel com precisão. Você sai de lá pensando se sua vida te dará direito a uma morte digna, quero dizer, uma passagem de consciência mais ou menos lúcida e tranquila. Ainda no circuito “a Igreja Católica dominava o mundo ocidental”, a Sé Catedral de Évora (2,5 euros) impressiona pela grandiosidade e beleza.

Também é interessante a herança romana da cidade, fruto da época em que o Império Romano usava a região para o cultivo de trigo e também para o posicionamento estratégico de suas tropas.  Você poderá visitar, de graça mesmo, os aquedutos e o Templo Romano. Você também poderá encontrar mais história dessa época e de outras no lindo Museu de Évora (3 euros).

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DICAS

  • Como todo bate e volta, acorde cedo e, de preferência, compre seu bilhete de trem antes para saber direitinho o horário e garantir seu lugar. No nosso caso, compramos no dia anterior, na bilheteria da Estação Rossio.
  • Em Portugal, um prato muito comum que comi trezentas vezes é o Bitoque. Bife de boi, ovo, molho, arroz e batata frita. É bom, muito bom. Em Évora, comi o melhor de toda a viagem no Restaurante S. Luis. O bacalhau de lá também é ótimo! Aliás, o bacalhau em Portugal vai te fazer esquecer a bacalhoada tímida que é geralmente feita aqui no Brasil.