Em geral, cidades grandes não me empolgam tanto quanto o interior. No caso da Índia, não foi diferente. Délhi é uma cidade monstruosa, com transito caótico e metrô que ajuda, mas não te leva para todos os lugares que você quer ir. A quantidade de pessoas, barulho, animais e lixo pode te deixar confuso em algumas partes. Eu aprendi isso logo quando cheguei.

Bem no meu primeiro dia, resolvi sair a andar meio sem rumo pra sentir a vibração da cidade. Obviamente, eu decidi fazer isso no centro. O cenário pós apocalíptico que eu encontrei pode ser descrito como a rua 25 de março na véspera de natal com todas aquelas pessoas, mais carros, motos, vacas e um barulho ensurdecedor de buzinas. A impressão que tinha era que uma buzina havia soado indicando um ataque nuclear iminente e todos saíram em fuga. Eu fiquei zonzo e cheguei a andar em círculos, mesmo tendo consciência de que eu estava voltando para o mesmo lugar. Felizmente, o Gurudwara Bangla Sahib (de graça) estava no meio desse pandemônio.

Eu não sabia, mas gurudwara é o nome dado aos templos do Siquismo, uma religião do século XV que é uma das quatro maiores da Índia. Os seguidores dessa religião cobrem seus cabelos e é provável que você já tenha visto na TV ou pelo mundo afora um homem indiano de turbante. A entrada é de graça, mas você tem que deixar o seu sapato no guarda volumes e fazer o possível para ignorar o cheiro de chulé do lugar que faria um gambá se sentir cheiroso. Felizmente, o aroma só está mesmo no guarda volumes e se você estiver tão encantado como eu estava com as belezas do lugar, essa será a última coisa na sua mente. Você pode assistir à cerimônia celebrada dentro do templo. Ela é bem curta e eles colocam uma corda na porta para que ninguém entre até que ela acabe. O templo é enorme e tem várias instalações, inclusive um refeitório gigante. É essencial se atentar par ao fato de que o melhor dele está do lado de fora – um lindo espelho d’água e uma calma que contrasta fortemente com o caos do lado de fora.

Do Gurudwara você pode ir a pé para a principal mesquita do país, a Jama Masjid. Eu, muito esperto, fui na hora do almoço e ela estava fechada. Acabei não tendo coragem de voltar para essa parte da cidade, então não pude visita-la.

Também bem pertinho, você poderá caminhar até o Red Fort (Forte Vermelho). Acabei não visitando, porque na Índia há vários fortes e eu sabia que os outros que eu veria seriam mais interessantes.

Com uma fome descomunal, tentei achar algum lugar onde eu pudesse, pelo menos, entender o que eu estaria comendo. Sem sucesso, recorri ao famigerado Mc Donald’s que, pasmem, estava com uma placa que dizia “fechado porque não conseguimos comprar os ingredientes para fazer a comida”.  Diante das circunstâncias, caminhei até a estação de metrô mais próxima e escapei.

Os outros dias foram mais calmos, já que eu decidi planejar melhor onde ir e comer. Vi atrações lindíssimas. O Qutb Minar (Rs 500) é um complexo de edificações em ruínas que já foram templos hindus, jainistas e uma grande mesquita. Lá, conversamos com vários jovens que estavam fazendo uma excursão com sua escola de inglês para praticar a língua. A propósito, embora o inglês seja uma das línguas oficiais do país, o nível de proficiência é baixo e, em geral, aqueles que podem pagar por uma educação melhor aprendem o suficiente para se comunicar bem – parece muito com o Brasil, não é?

Outro lugar muito interessante, talvez até mesmo o meu favorito, foi o Templo de Akshardam. O lugar é simplesmente o maior templo hindu desse nosso planeta e é bonito de doer. A construção é recente e foi inaugurada em 2005 e contou com 3000 voluntários participando de sua construção. Como os outros templos, a entrada é grátis. O único problema aqui é que ele fica um pouco fora do circuito das outras atrações e tem que deixar celular e câmera no guarda volumes e rola uma bela de uma fila. Programe-se para umas três horas de visita ou mais.

Fomos também ao Túmulo de Humanyun – um monumento lindo, em um complexo gigante. Bem perto de lá eu encontrei minha área favorita de Délhi, ao redor da incrível mesquita de nome Hazrat Nizamuddin Aulia Dargh. Foi muito bom me perder nas ruelas locais, vendo a vida das pessoas que moram ou passam por lá.

Outro lugar que recomendo é a avenida Rajpath Marg. Em uma extremidade está o monumento India Gate, a versão indiana do Arco do Triunfo. Do outro, estão lindos prédios do governo.

Como em qualquer outra grande cidade do mundo, tome cuidado para que sua experiência em Delhi, não seja uma coleção de atrações. Elas são incríveis, é verdade. Não se esqueça, entretanto, que Délhi é muito mais que isso. Aventure-se pelas ruelas, converse com as pessoas, “perca” tempo em parques como o Lodi Gardens, vá aos templos menores, observe os rituais com cuidado…

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DICAS

  • O bairro chamado Paharganj é o distrito dos mochileiros. Lá tem lojinhas boas para comprar artesanato, trocar dinheiro e comer bem pagando pouco. Lá comi uma comida coreana divina no restaurante Shimtur. Peça ajuda aos locais, porque ele é super escondido.

 

  • Se for visitar a mesquita Jama Masjid, não vá entre 12 e 13:30, já que ela estará fechada.

 

  • O metrô de Delhi, embora limitado, é muito eficiente e limpo. Sempre que possível faça o trajeto ou parte dele usando-o. O trânsito é infernal.

 

 

  • O Khan Market é um mercado excelente com lojinhas legais, meio carinhas e bons restaurantes.