Meu primeiro contato com a ayurveda aconteceu em 2017, durante um workshop sobre alimentação ayurvédica no Shanti Om (núcleo de yoga que eu frequento, hoje chamado yoga.om). A ayurveda é a medicina tradicional indiana. No oriente ela tem status de medicina alternativa, mas por aqui ela parece ser mesmo a norma. Você vai a uma farmácia, por exemplo, e o que está exposto são os medicamentos ayurvédicos, feitos de plantas, ervas, minerais e metais.

Durante o workshop no Brasil, fizemos um teste para descobrir nosso dosha (doshas são 3 energias que constituem uma pessoa). A partir disso, discutimos alguns hábitos saudáveis para equilibrar nosso organismo. Eu vou evitar falar mais sobre isso, porque eu sei realmente muito pouco e direi alguma bobagem. Para os interessados, é bom procurar informações mais detalhadas.

O objetivo desse post é, na verdade, contar um pouco da minha experiência com a ayurveda aqui na Índia. O primeiro lugar que fui se chama Hemadri e fica em Rishikesh. Esse local foi recomendação de uma amiga que fiz no retiro de yoga e meditação. Lá eu fiz uma consulta que demorou 40 mins com um médico que sentiu meu pulso e fez algumas perguntas sobre minha alimentação e outros hábitos. O interessante é que desde o princípio, somente sentindo seu pulso, ele faz algumas perguntas para confirmar suas deduções. Ele então faz recomendações sobre alimentação, remédios naturais e tratamentos oferecidos ali mesmo. Algumas coisas que ele me disse eu já havia aprendido sobre mim por auto observação e também com o workshop que fiz no Brasil. Muitas outras foram novidade e pretendo colocar em prática para melhorar minha saúde.

Sobre os tratamentos que fiz, foram quatro sessões de massagem com óleo em abundância, seguidas de alguns minutos de sauna que era feita em uma caixa de madeira em que você senta e só fica a cabeça para fora. O grand finale ficou por conta de tratar meu cólon. Muitas enfermidades digestivas têm origem nessa região e no meu caso eles colocaram óleo lá dentro. Sim, o óleo entrava pelo tuim. Mas não se empolgem, gatas. O tubo é beeeeem fininho. O tenso é que depois disso o cara mandou eu colocar quilos de papel higiênico na cueca e já logo imaginei o óleo escorrendo pela minha perna numa situação de grande humilhação. Com esse medo, fiquei travado e andei igual uma criança cagada. Graças a Krishna deu tudo certo.

Uma das coisas que o médico havia me dito é que faltava óleo no meu corpo, ou algo do gênero. Eu espero que agora haja óleo em mim para as próximas quatro reencarnações.

A outra experiência que tive foi em uma farmácia em Varanasi indicada no Lonely Planet. Lá a consulta é de graça e os remédios são manipulados na hora. O médico era um senhor bem velhinho muito gentil. Ele sentiu meu pulso e fez algumas perguntas. Ele me passou alguns remédios e deu algumas dicas de alimentação. As dicas não foram tão completas quanto da outra vez, porque ele falava muito pouco inglês. A diferença maior das duas experiências foi que no primeiro centro eles só vendiam remédios já padronizados que podem ser encontrados em qualquer farmácia indiana. Já no segundo, eles manipularam aquilo que o médico recomendou na hora.

Eu acredito que somos muito mais que nosso corpo e tratar do conjunto todo requer mais que a nossa medicina ocidental pode proporcionar. Eu já havia colocado alguns princípios da alimentação ayurvédica em prática e os resultados foram ótimos. Agora quero me dedicar muito mais. De qualquer maneira, essas experiências fazem parte de estar na Índia e, por isso, eu recomendo mesmo para os céticos.

DICAS

No Hemadri existe formação em Ayurveda. Havia um grupo de brasileiras fazendo o curso e eles disseram que estava sendo fantástico.